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Em boas mãos

Posted by Hugo Alves on 01:32
É necessário que saibamos gerenciar tudo o que temos nas mãos, seja uma grande empresa ou um salário mínimo mensal (principalmente se dependermos dele para sobreviver). Nem precisa dizer que a educação no país não é das melhores. Longe disso. Os outros setores também deixam a desejar, e principalmente os nossos representantes, quanto à responsabilidade para gerenciar todo o dinheiro que é arrecadado através de impostos. Impostos pagos pela população, esta que muitas vezes não ganha nem o suficiente para alimentar sua família.

Qual interesse os políticos teriam em uma educação de qualidade no Brasil? Uma população com mais conhecimento para cobrá-los? Realmente, não faz sentido desviar dinheiro que iria para o "caixa 2" de muitos para aplicar em educação.

Acredito que seja do conhecimento de todos como funciona a política no Brasil, o tal "sistema". Um político não consegue ganhar as eleições sem investir uma boa quantia de dinheiro e logicamente precisa de aliados para financiar a campanha. E como todo mundo sabe que nada é de graça, quando se consegue chegar à vitória, são tantos os compromissos acordados durante a campanha com aliados políticos e empresários, que defender os interesses da população passa a não ser mais prioridade, ao contrário do que afirmam em palanques. Eu ainda não conheço um que tenha gastado toda uma verba do próprio bolso para conseguir se eleger e depois tenha “lutado” pelos direitos do povo, ao invés de “colher os frutos” do poder, bancados com o nosso dinheiro.  Assim funciona o sistema, quem tem boa intenção não tem chances de ganhar e quem ganha tem que se adequar a ele.


Tudo gira em torno de interesse político. Um exemplo disso é que pouco tempo atrás o presidente Lula criticava o atual presidente do senado, José Sarney (PMDB-AP), e hoje ele diz que Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum. O que o fez mudar a visão? Ou será que tem algum interesse por aí, como para abafar a CPI da Petrobrás e outras, afinal de contas o PMDB é o maior partido do senado e o segundo maior partido da câmara. E isso parece ser mais importante do que as acusações contra Sarney. O legal dessa história toda é que assim como o presidente da república era contra e passou a defender, tem também os que eram prós e passaram a ser contras. Os democratas, liderados no senado por José Agripino (DEM-RN), que usa twitter, foi o partido que praticamente elegeu Sarney a presidência do senado e também o primeiro partido a se manifestar a favor do afastamento dele. Talvez tudo isso esteja acontecendo por causa da crise no senado, que vem se alastrando desde o início do ano com alguns pequenos problemas como o escândalo dos diretores, atos secretos (veja aqui e aqui), entre outros, afinal de contas são julgados pelo conselho de ética do senado onde 70% têm a ficha suja e é claro que isso pesa a favor de quem está sendo acusado. E no caso do presidente do senado não é diferente, acaba em pizza.

Por falar nele, em seu quadro de funcionário foram encontrados alguns parentes. E como foi caracterizado nepotismo, tiveram que ser demitido. Mas para tudo se dá um jeito, ainda mais para favorecer amigos e parentes dos parlamentares. Então um neto de Sarney foi contratado para o gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que é caracterizado como nepotismo cruzado, que também é proibido. Mas o coitado do neto, que ganhou uma merreca de salário (pago por nós) de mais de 7 mil reais durante 18 meses sem ao menos ter formação superior, teve que ser demitido. E quando pensamos que estava tudo resolvido percebemos que nos enganamos, pois demitiram o garoto, mas contrataram a mãe dele para a vaga.


Claro que tem propostas boas, como a do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que propõe fim de salário para vereadores de pequenos municípios. Outras que visam agilidade de alguns processos, como o projeto da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) que permite a realização de pedido de divórcio pela internet. Mas a maioria dos atos governistas sem dúvidas nos deixa envergonhados de ter elegido tais integrantes para o mundo da corrupção. São tantas as irregularidades. É nepotismo, escândalo das passagens, mensalão, Renan Calheiros (PMDB-AL) não conseguindo provar inocência e mesmo assim sendo absolvido, entre tantas outras provas de falta de honestidade de nossos políticos. Alguém ainda se lembra do banqueiro Daniel Dantas? Isso mesmo, aquele que protagonizou a CPI dos grampos e que também foi acusado de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, fraude fiscal e tentativa de suborno. Então, parece que ele também ficou de boa”.

Mas quando agente pensa que não poderia está pior, eis que mais uma vez nos enganamos. Pois é, o deputado Sérgio Moraes (PTB - RS), que já foi condenado em primeira instancia de administrar e possuir um prostíbulo, receptar Jóias, ligar para o Disk-sexo com o dinheiro publico e outras coisitas mais, disse que estava se “lixando para a opinião pública“. E olha que ele já foi presidente do conselho de ética da câmara. Parece até brincadeira isso, mas é verdade. Mas para dizer que ele não presta a sua solidariedade a ninguém, ele defendeu desde o início seu colega de “trabalho”, o deputado Edmar Moreira (Sem partido - MG), dono de castelo, que é acusado de sonegação de imposto e de usar verba indenizatória (dinheiro publico) de forma irregular, onde pagava 15 mil por mês os serviços de segurança.  Mas por conhecidencia, a empresa de segurança contratada é dele. E como todos também têm o direito a um lugar ao sol, assim como seu defensor (Sergio Moraes), ele também já ocupou cargo que deveria passar longe de desonestos, como o de corregedor da câmara. E advinha em que resultou tudo isso? Mais uma rodada de pizza. Parece que chorar ajuda mesmo.


E o pobre brasileiro (literalmente) que trabalha tanto para sustentar sua família? Onde fica nessa história? Fica exatamente na parte de trabalhar para bancar esses vagabundos cidadãos no poder, com todas as mordomias que possui um parlamentar e lutando para que seja aumentado o salário (o deles), que é de apenas 16 mil. Se alguém precisa da saúde pública ninguém pode garantir que vai ser bem atendido, se pelo menos conseguir ser atendido. E se já não bastasse o povo brasileiro trabalhar quase 5 meses só para pagar impostos, a antiga CPMF (Contribuição provisória sobre movimentações financeiras), que foi extinta no final de 2007, logo no início de 2008 deu sinais que poderia voltar disfarçada de CSS (Contribuição social para a saúde). Foram algumas batalhas e acabou não voltando. Não no ano passado. Depois de alguns meses, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, voltou a defender a CSS e afirmou ter convencido a oposição (PSDB) a votar a favor da ressurreição da CPMF. Tudo bem que o imposto é bem menor que a CPMF (0,1%, enquanto a CPMF era 0,38%) e que só iria contribuir quem faturasse mais que 3.200 reais por mês, mas a indignação é por saber que esse dinheiro (que tanto afirmam que a saúde precisa) tem grandes chances de não chegar aos hospitais onde morrem tantas pessoas nas filas de espera, de ser desviado em casos como a máfia das ambulâncias. Outra diferença entre as duas versões do imposto é que a CSS é definitiva, ao contrário da primeira versão, que era uma medida provisória e tinha que ser renovada periodicamente. Ou seja, a CMPF que era provisória demorou tanto tempo pra ser derrubada, essa então pode esquecer, caso seja aprovada.

Diante de tudo isso, podemos concordar com o deputado José Aníbal (Lider do PSDB) quando disse que "se o governo quiser prioridade ele remaneja e coloca na saúde. O que não tem prioridade é essa CSS. Embora seja uma contribuição social para a saúde é uma Contribuição Sem Sentido". Claro que levamos em consideração que é oposição e que no Brasil quando a oposição passa a ser situação a situação em si não muda nada, os escândalos continuam, só muda os nomes. Às vezes nem os nomes mudam, afinal de contas os antigos e conhecidos que já foram até cassados, como o senador Fernando Collor (PTB - AL), estão de volta ao poder.

Estão lá em Brasília, estão na sua cidade, estão por toda parte. Podem deixar de votar em qualquer projeto, menos de aumentar os próprios salários, salários altíssimos para representantes de uma população que muitas vezes ganha um salário mínimo. Todos nós sabemos que eles não precisam de nenhum outro “auxílio” ou regalia e sim de mais gestão e competência. Não precisamos de mais impostos, precisamos de mais responsabilidade por parte de quem deveria aplicar melhor esse dinheiro.


E o pior de tudo, nós que os colocamos lá. 

Políticos, ruim com eles, pior sem eles. Ou vice-versa.

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